Maternidade Atípica: Desafios, Invisibilidades e a Atuação do Assistente Social

Tatiane Moura

A maternidade atípica configura-se como a experiência vivenciada por mulheres que são mães de pessoas com deficiência e que, em razão dessa condição, enfrentam múltiplas demandas de natureza emocional, social, econômica e institucional. Trata-se de uma realidade complexa, frequentemente marcada pela sobrecarga, pela invisibilidade social e pela insuficiência de políticas públicas efetivas, exigindo da sociedade maior sensibilidade, reconhecimento e responsabilidade coletiva.

O presente estudo tem como objetivo analisar a maternidade atípica à luz das dificuldades enfrentadas por essas mulheres, evidenciando a centralidade da atuação do Assistente Social no processo de acolhimento, orientação, acompanhamento e garantia de direitos. Busca-se, ainda, fomentar uma reflexão crítica acerca da necessidade de práticas profissionais fundamentadas na ética, na escuta qualificada e na intervenção intersetorial, com vistas à construção de uma sociedade mais inclusiva e equitativa.

Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica, desenvolvida a partir da análise de referenciais teóricos consolidados em livros, artigos científicos e publicações especializadas. Autores como Buscáglia (2006), Marchi (2021), Moreira (2022), Ferreira (2022), Constantinidis et al. (2018), Guerra et al. (2015) e Sousa et al. (2021), entre outros, ofereceram subsídios teóricos fundamentais para a compreensão crítica da temática, possibilitando a problematização das vivências dessas mães e das estratégias de enfrentamento por elas desenvolvidas.

Os achados indicam que o suporte integral – constituído por redes formais e informais de apoio, práticas de autocuidado e intervenções interdisciplinares – apresenta potencial significativo para a redução da sobrecarga física e psíquica vivenciada pelas mães atípicas. Nesse contexto, destaca-se a atuação do Assistente Social no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no que se refere ao acolhimento humanizado, à mediação do acesso às políticas públicas e à articulação da rede socioassistencial, configurando-se como agente estratégico na promoção da inclusão social e do bem-estar dessas mulheres.

Conclui-se que a implementação de estratégias integradas e humanizadas é imprescindível para minimizar os impactos do isolamento social, das desigualdades estruturais e da precarização do cuidado na vida das mães atípicas. Dessa forma, este trabalho pretende contribuir para o debate acadêmico e profissional, fortalecendo a visibilidade dessas mulheres e reafirmando o compromisso do Serviço Social com a defesa intransigente dos direitos sociais e com a construção de práticas emancipadoras.

Tatiane Moura

Assistente Social, com formação em Gestão de Saúde Pública e Previdência Social, MBA em ESG (Environmental, Social and Governance) e graduanda em Engenharia Ambiental. Atua de forma interdisciplinar nas áreas socioambiental, saúde pública e políticas sociais. É mãe atípica e defensora da inclusão, pautando sua trajetória profissional e pessoal na empatia, na ética e na promoção da justiça social.